Estou pegando raiva do meu filho: isso é normal?

mãe com as mãos na cabeça pegando raiva do seu filho enquanto ele faz bagunça logo atrás

Se esse pensamento passou pela sua cabeça, respira fundo. Sentir raiva do seu filho não faz de você uma mãe ruim. 

Esse sentimento aparece quando estamos esgotadas, sozinhas demais ou cobrando de nós mesmas um padrão inalcançável de perfeição. 

Neste guia, eu vou te acompanhar para você entender o que isso realmente significa, de onde vem essa raiva e, principalmente, como se julgar menos por isso , responsabilidade e fazer pequenas mudanças práticas no seu dia a dia.

Sentir raiva do meu filho é normal ou preciso me preocupar?

Sim, sentir raiva é normal. A maternidade é um dos maiores atos de amor, mas também uma das maiores fontes de sobrecarga emocional. 

A raiva pode surgir em momentos de exaustão, frustração ou solidão. E sabe o que muda tudo? O que você faz quando percebe essa raiva. 

Ignorar, reprimir ou se culpar não ajuda. Reconhecer, nomear e agir com gentileza são caminhos reais para voltar aos eixos. .

É possível ser uma boa mãe mesmo sentindo raiva?

Sim. O que define uma boa mãe não é nunca sentir raiva, mas como você  lida com esse sentimento. 

A raiva mostra que algo precisa de atenção, que você está sobrecarregada ou emocionalmente exausta. 

Enxergar isso como um sinal, e não como um fracasso, é um passo poderoso para mudar a relação com você mesma e com seu filho.

criança chorando e a mãe com raiva enquanto tem várias peças de brinquedo no chão

O que causa raiva de um filho? Fatores emocionais, físicos e sociais

Alguns motivos comuns que alimentam esse sentimento:

  • Sobrecarga mental e física: noites mal dormidas, tarefas acumuladas, zero tempo pra você;
  • Expectativas irreais: ideia de que mães devem ser sempre pacientes, calmas e perfeitas;
  • Falta de apoio: uma rede de suporte frágil ou inexistente pode te deixar emocionalmente sozinha;
  • História pessoal: crianças criadas com gritos ou pouca escuta emocional tendem a repetir padrões sem perceber.
  • criança com comportamento desafiador: não entender o comportamento do seus filhos e viver isso diariamente, contribui muito pra esse sentimento

Nada disso define você como uma “má mãe”. Mas são alertas importantes para você dá atenção e entender que também é preciso cuidar de você.

Meu parceiro não entende minha sobrecarga: o que fazer?

Quando a divisão de tarefas não é justa, a raiva se acumula. Converse com clareza, usando exemplos do dia a dia, e proponha acordos objetivos: “Pode assumir o banho hoje?”, “Preciso de 30 minutos sozinha”. 

Não é sobre ajuda, é sobre corresponsabilidade.

colocar aqui algo no sentido de que dividir as responsabilidades, ter uma rede de apoio não torna ninguém menos mãe, mas proporciona a mãe que ela tenha mais tempo pra fazer coisas que ela realmente gosta com o filho e aproveitar também esses momentos

Como diferenciar a raiva do estresse da maternidade?

Nem sempre você está com raiva do seu filho. Muitas vezes, a raiva é do acúmulo, das cobranças, da rotina. 

Seu filho é apenas o gatilho, não a causa. E entender isso tira um peso enorme dos seus ombros.

Sinais que indicam que é o estresse falando mais alto:

  • Irritação constante com tarefas do dia a dia;
  • Vontade de fugir, desaparecer ou “ter um tempo sozinha urgente”;
  • Falta de paciência com coisas pequenas, como brinquedos no chão ou birras comuns da idade.

Como criar uma rede de apoio quando me sinto sozinha?

Maternar não deveria ser um ato solitário. Se você não tem uma rede natural, construa uma: converse com amigas, vizinhas, procure grupos de apoio online ou presenciais. 

Aliados alternativos como escola, terapeutas, ou mesmo combinados com o parceiro ajudam a tirar você do isolamento.

mãe abraçando seu filho depois de uma discussão com ele

Como posso me reconectar com meu filho depois de um momento difícil?

Depois de um momento de raiva, muitas mães sentem culpa. E a culpa te faz ruminar o erro, te paralisa. O caminho é outro: 

reparação. Isso significa reconhecer o que aconteceu, reparar com afeto e seguir em frente com um passo simples.

Três frases que ajudam:

  • Eu me alterei. Não foi justo com você.”
  • Desculpa se te assustei. Eu te amo mesmo quando estou brava.”
  • Vamos recomeçar? Que tal um desenho juntos?”

Como explicar para o meu filho quando eu fico brava?

A comunicação afetiva é essencial. Crianças entendem mais do que imaginamos. Diga algo simples como: “A mamãe ficou irritada, mas isso não é culpa sua. Eu estava cansada e não soube lidar bem”. 

Isso ensina empatia, regulação emocional e fortalece o vínculo. Além disso é um baita exemplo pro seu filho que as pessoas são humanas, que nós temos esse tipo de sentimento e o mais importante, reconhecer quando algo nos afeta negativamente é essencial pra saber lidar melhor com as emoções.

Entenda também sobre a adultização infantil

Quais hábitos ajudam a evitar explosões frequentes?

A raiva constante não é sinal de fraqueza. É sinal de que você está no limite. E alguns ajustes simples podem aliviar esse peso:

  • Reconheça seus gatilhos: fome, barulho, interrupções constantes, sono;
  • Crie pausas reais: 3 a 5 minutos sozinha já ajudam a regular seu sistema nervoso;
  • Simplifique a rotina: menos tarefas ao mesmo tempo, mais espaços vazios;
  • Acolha dias difíceis: eles não definem sua maternidade;
  • Converse com alguém: falar reduz a pressão e organiza os pensamentos.

Como a minha infância pode influenciar minha relação com meu filho?

Crescer em um ambiente com gritos, silêncios ou falta de afeto pode deixar marcas profundas. Sem perceber, a gente replica esses padrões. Mas você pode interromper esse ciclo.

Duas chaves para mudar:

  1. Perceba o padrão: quando se sentir agindo como sua mãe ou pai, pare.
  2. Escolha diferente: um tom mais baixo, um toque leve, sair do ambiente.

Essa consciência é um presente para você e para seu filho. São nas pequenas ações que você muda a sua maternidade e torna esse processo bem mais leve e prazeroso.

Se arrependeu de ter o segundo filho? Saiba como curar essa dor!

O que fazer no exato momento em que a raiva surge?

Na hora da raiva, você precisa de um plano simples, acessível e realista. Aqui vai um passo a passo que funciona:

  1. Pare por 5 segundos.
  2. Respire 4-2-6: inspire por 4 segundos, segure 2, solte por 6.
  3. Sinta seus pés no chão. Solte os ombros.
  4. Nomeie: “Estou irritada, preciso de 1 minuto.”
  5. Mude de ambiente: vá até a janela, lave o rosto, respire de novo.
  6. Volte com suavidade: contato visual, toque, voz baixa.

O que a psicologia diz sobre sentir raiva dos filhos?

A psicologia reconhece a raiva como uma emoção humana inevitável. O problema não é senti-la, mas agir impulsivamente sem compreender sua origem. 

Métodos como a terapia para mães e orientação parental consciente, os quais buscam entender os comportamentos e tem como um dos seus pilares da regulação emocional oferecem caminhos práticos para lidar com esses momentos sem culpa.

Quando a raiva vira sinal de burnout materno?

Se a raiva vira frequente, intensa e te afeta em outras áreas (sono, apetite, prazer, trabalho), pode ser um sinal de burnout materno, ansiedade ou esgotamento emocional.

Outros sintomas comuns:

  • Choro fácil e irritabilidade extrema;
  • Sentimento de fracasso constante;
  • Vontade de desistir de tudo.

Esse é o momento de buscar ajuda profissional. Psicólogos, grupos de apoio e redes de suporte podem te ajudar a se reencontrar.

Saiba como quebrar ciclos repetitivos na maternidade

Dá pra manter a conexão no caos do dia a dia?

Sim. Mesmo em meio ao caos, pequenas micro-conexões mantêm o vínculo vivo:

  • 10 minutos por dia sem telas com seu filho (brincadeira, conversa, olhar);
  • Frase-chave: “Eu te amo mesmo quando estou cansada ou irritada”;
  • Brincadeiras de cooperação: cozinhar juntos, organizar brinquedos;
  • Quadro simples de rotina: 3 a 5 passos visuais com desenhos;
  • Revisão semanal: o que funcionou, o que pode mudar, o que pode ser delegado.

Você não precisa ser perfeita. Precisa estar presente. E isso já é o bastante.

Como se recuperar emocionalmente após um dia difícil com os filhos?

Terminou o dia exausta e com vontade de chorar? Respira. Algumas práticas simples ajudam a fechar o ciclo emocional:

  • Tome um banho quente e imagine a tensão indo pelo ralo;
  • Escreva 3 coisas que deram certo no dia;
  • Se abrace: literalmente. O toque libera ocitocina e acalma o corpo;
  • Durma cedo, mesmo que as tarefas não estejam 100% feitas.

Recuperar o emocional é autocuidado ativo. Você merece descanso.

Lembre-se: você não está sozinha. Raiva é um sinal de que algo precisa mudar, não de que você é insuficiente. Juntas, com pequenas escolhas diárias, a gente transforma esse ciclo.

Se precisar, leia esse texto de novo. Respira. Você está fazendo o melhor que pode. E isso é muito.

Compartilhe:

Artigos relacionados