Me arrependi de ter o segundo filho: o que isso significa e como lidar

duas crianças brincando no sofá e a mãe estressada e arrependida de ter o segundo filho mais novo

Poucas mães têm coragem de admitir em voz alta: “me arrependi de ter o segundo filho”. Esse pensamento pode vir acompanhado de culpa, vergonha e até medo do julgamento alheio. 

Afinal, a sociedade ainda insiste em vender a imagem de que a maternidade deve ser sempre perfeita, cheia de gratidão e alegria.

Mas a verdade é que você talvez esteja vivendo um verdadeiro choque de realidade depois que seu segundo filho chegou.

O cansaço parece dobrar, a atenção precisa ser dividida, o tempo para si mesma desaparece quase por completo. 

E, em meio a tanta pressão, surge aquela sensação sufocante: Será que eu fiz a escolha certa? Será que dei um passo maior do que podia dar?

Eu quero que você saiba desde já: sentir isso não significa falta de amor pelos seus filhos. O arrependimento geralmente nasce da sobrecarga emocional, da ausência de apoio e das expectativas irreais que cercam a maternidade. 

Por isso, falar sobre esse tema é essencial: para que você e outras mães parem de carregar esse peso sozinhas e percebam que não estão erradas ou “quebradas”. Estão apenas humanas, tentando dar conta do impossível.

Por que algumas mães se arrependem de ter o segundo filho?

O arrependimento após a chegada do segundo filho é mais comum do que se imagina, mas poucas mães falam sobre isso abertamente. 

A verdade é que esse sentimento, em geral, não é sobre a criança em si, mas sobre o peso que a maternidade traz para você em determinadas fases da vida.

Entre os principais motivos relatados pelas mães que atendo, estão:

1. Sobrecarga mental e física

Com dois filhos, as demandas dobram  não é mesmo?  Você  precisa dar atenção ao bebê que chegou, mas também manter o cuidado com o mais velho. As noites mal dormidas, a rotina corrida e a falta de tempo para si mesma podem se transformar em um fardo enorme.

2. Culpa por não dar atenção igual

É natural que, como muitas mães, você se sinta dividida e carregue a culpa por não conseguir dar a mesma dedicação ao seu primeiro filho. Esse sentimento pode gerar a ideia de que você errou em aumentar a família.

3. Mudanças no relacionamento conjugal

A chegada do segundo filho também pode abalar a relação com seu parceiro. Quando não existe diálogo e divisão de responsabilidades, você acaba sobrecarregada, e o relacionamento pode esfriar ou se tornar mais conflituoso.

4. Dificuldades financeiras

E vamos ser sinceras, você deve ter pensado também nos desafios financeiros… Dois filhos representam o dobro de gastos: alimentação, saúde, escola, roupas, lazer, o que pode trazer insegurança e arrependimento quando a família não estava totalmente preparada.

Esses fatores não significam falta de amor pelos seus filhos, mas sim um acúmulo de pressões que fazem você sentir que perdeu o controle da própria vida.

criança abraçando a mãe e ela com os olhos revirados para o lado

O impacto do arrependimento no vínculo com os filhos

Sentir arrependimento por ter o segundo filho pode mexer diretamente na forma como você se relaciona com as crianças. 

Isso acontece porque a culpa, a exaustão e a sensação de sobrecarga acabam se refletindo no dia a dia da família.

Alguns efeitos comuns são:

  • Distanciamento afetivo: Você pode se sentir desconectada, com dificuldade de aproveitar os momentos com os filhos;
  • Irritação e impaciência: quando o estresse é grande, pequenas situações podem gerar explosões que antes não aconteciam;
  • Comparações dolorosas: surge o sentimento de que o primeiro filho teve mais atenção, mais carinho ou melhores condições;
  • Dificuldade em se enxergar como “boa mãe”: a sensação de falha constante pode fazervocê acreditar que está prejudicando os filhos.

Mas, acalme seu coração: quero que você saiba que isso não é definitivo. O vínculo com os filhos pode ser fortalecido novamente, desde que você reconheça seus sentimentos e busque formas de ressignificá-los. 

O amor não desaparece; ele pode estar apenas encoberto pela exaustão e pela culpa.

Esta pegando raiva do seu filho? Veja como se curar desse mal.

O que esse arrependimento realmente significa?

Quando você diz “me arrependi de ter o segundo filho”, isso não quer dizer que você não ama seus filhos ou que gostaria de apagar a existência deles. 

Esse sentimento, na maioria das vezes, está ligado ao contexto em que a maternidade acontece para você, e não às crianças em si.

O arrependimento costuma nascer de fatores como:

  • Falta de apoio: sentir que tudo depende apenas de você..
  • Exaustão física e emocional: noites sem dormir, rotina puxada, ausência de descanso  para você.
  • Expectativas irreais: acreditar que você conseguiria dar conta de tudo com a mesma leveza de antes.
  • Perda da identidade pessoal: deixar de se enxergar como mulher além do papel de mãe.

Em muitos casos, o quevocêgostaria não é “não ter o filho”, mas sim ter condições melhores para viver essa fase: mais ajuda, mais compreensão, mais espaço para respirar.

Entender isso é essencial para aliviar a culpa: o arrependimento não é uma rejeição ao filho, mas um reflexo do peso que a sociedade coloca sobre os ombros maternos.

mãe abraçada a sua filha e sorrindo

Como lidar com a culpa e ressignificar esse sentimento

O arrependimento de ter o segundo filho vem quase sempre acompanhado de uma carga pesada de culpa. 

Eu sei que você pode se sentir péssima por sequer ter esse pensamento, talvez acredite que é ingrata ou até mesmo uma “má mãe”. Mas, quero te dizer, esse não é o caso.A culpa só aumenta o sofrimento, e o primeiro passo é aprender a ressignificar o que está sendo vivido.

Aqui estão alguns caminhos que podem ajudar:

1. Permita-se sentir sem se julgar

Reconhecer o arrependimento não significa falta de amor. É apenas admitir que a realidade está mais difícil do que você imaginava. Validar o que sente já é um passo para aliviar o peso.

2. Converse com pessoas de confiança

Dividir esse sentimento com alguém próximo pode trazer alívio. Muitas vezes, só de falar em voz alta, a dor perde força. Pode ser uma amiga, uma mãe que já passou por isso ou até o seu parceiro.

3. Busque apoio emocional

A terapia ou orientação parental ajudam a reorganizar os pensamentos, diminuir a culpa e enxergar caminhos para fortalecer o vínculo com os seus filhos. Não é sinal de fraqueza, mas de coragem.

4. Redefina suas expectativas

Não existe mãe perfeita. O que existe é uma mãe real, que erra, acerta, mas que está tentando dar o seu melhor. Comparar-se com padrões irreais só aumenta o peso que você já carrega.

5. Crie pequenos momentos de autocuidado

Minha sugestão, e eu sei que pode parecer um desafio, é que você encontre brechas no dia para cuidar de si. Ler, tomar um banho tranquila, respirar fundo, sair para caminhar. Lembra que, quando você se cuida, consegue cuidar melhor dos seus filhos também?

O arrependimento pode ser transformado em aprendizado e fortalecimento pessoal. Ao invés de enxergar isso como um fracasso, você pode ver como um chamado para olhar para si mesma e buscar uma nova forma de maternar.

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O papel da rede de apoio e do parceiro

Muitas vezes, o arrependimento de ter o segundo filho não surge da maternidade em si, mas da solidão que a acompanha.

Quandovocêprecisa carregar tudo sozinha, cuidados com os filhos, casa, trabalho e vida pessoal, a sobrecarga se torna insustentável.

É nesse ponto que a rede de apoio e o seu parceiro fazem toda a diferença.

1. Rede de apoio além do discurso

Ter pessoas por perto que realmente ajudem no dia a dia pode transformar a experiência materna para você. Pode ser um familiar que fica algumas horas com as crianças, uma amiga que escuta sem julgar ou até mesmo uma vizinha disposta a dar suporte. O apoio não precisa ser grande, mas precisa ser real.

2. O papel do parceiro

Quando existe parceria de verdade, a carga se divide. Um pai presente não “ajuda” a mãe: ele exerce seu papel. Isso significa participar ativamente da rotina, assumir responsabilidades e também estar atento às as suas necessidades emocionais”r.

3. Quebrando a ideia da mãe que dá conta de tudo

A verdade é que ninguém deveria enfrentar a maternidade sozinha. Quando há diálogo, cooperação e suporte, a sensação de arrependimento diminui, porque você consegue respirar, descansar e se conectar melhor com os seus filhos. 

Ter uma rede de apoio sólida e um parceiro comprometido não elimina os desafios, mas reduz o peso e abre espaço para que você consiga se enxergar novamente além da exaustão.

mulher em uma consulta com uma orientadora parental

Quando procurar ajuda profissional

Nem sempre é possível lidar sozinha com o arrependimento e a culpa de ter o segundo filho. 

Em alguns casos, o peso emocional cresce tanto que começa a afetar não apenas você

, mas também a dinâmica familiar. 

É nesse momento que buscar ajuda profissional se torna fundamental.

Sinais de que você precisa de apoio especializado:

  • Crises de choro constantes sem motivo aparente;
  • Sensação de irritação extrema ou explosões frequentes com os filhos;
  • Dificuldade em sentir prazer ou se conectar emocionalmente com as crianças;
  • Cansaço que não melhora mesmo após descansar;
  • Pensamentos de fuga ou vontade de sumir.

A terapia para mães oferece um espaço seguro para que você fale sobre esses sentimentos sem julgamentos. Ali, você encontra acolhimento, estratégias práticas e, principalmente, um caminho para resgatar sua confiança como mãe e como mulher.

E um ponto crucial, pense comigo: Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: é um gesto de coragem e amor próprio. Quando você se fortalece, toda a família também se beneficia.

Conclusão

Arrepender-se de ter o segundo filho é um tema delicado, mas real. Esse sentimento não define o amor que você sente pelos seus filhos, nem faz de você uma mãe ruim. 

Ele apenas mostra o quanto a maternidade, quando vivida sem apoio e sem espaço para cuidar de si, pode se tornar esmagadora.

O arrependimento não é sobre os filhos, é sobre a falta de descanso, de ajuda, de compreensão e de acolhimento. É sobre tentar dar conta de tudo e se perder no processo. Mas eu estou aqui para te dizer que existe um caminho para transformar essa dor em força, e a chave está em buscar ajuda, quebrar o silêncio e se permitir ser cuidada também.

Conte comigo nessa jornada.

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